Patagônia

O nome Patagônia é uma alusão aos índios patagones, cujos pés grandes pareciam enormes patas. Fica numa área de um milhão de quilômetros quadrados, maior do que a do Estado do Mato Grosso e equivalente a quatro países como Portugal.

Essa enorme península abrange partes da Argentina e do Chile e é banhada pelos oceanos Atlântico e Pacífico. Divide-se em três faixas paralelas: a cordilheira dos Andes, com seus enormes picos; a estepe, árida e pontuada por montanhas baixas e achatadas, as mesetas; e a verde costa Atlântica. Em épocas remotas, esteve coberta pelo mar, e suas planícies e planaltos têm sido esculpidos por mais de meio bilhão de anos. Com 22 mil quilômetros quadrados de gelo, a Patagônia é a área glaciária mais extensa do hemisfério sul, depois da Antártida.

A Patagônia é terra para quem gosta de horizonte, de quietude, de estrelas, de tons alaranjados e de vento. É difícil encontrar gente em uma região onde as estatísticas falam em 1,5 habitante por quilômetro quadrado, e olhe lá. Os nativos são poucos; mais fácil topar com quem veio do Norte para se aventurar em “El Sur”, como eles chamam esse lugar mítico nos confins da Terra.

A Patagônia também é cenário da lendária fuga de dois famosos bandidos, considerados os inimigos públicos número 1 dos Estados Unidos na virada do século 19: Butch Cassidy e Sundance Kid.
O livro "Patagonia Express" escrito em 1998 pelo autor chileno Luis Sepúlveda, trata de um marginal americano chamado Martin Sheffields, que se autointitulava "Sherife" e que, em 1905, parte na captura da dupla de fugitivos do velho oeste americano em terras argentinas e chilenas.

O autor do livro e o diretor brasileiro Walter Salles estão trabalhando no roteiro para adaptar essa fantástica história para as telas de cinema.

Os atores Paul Newman e Robert Redford já fizeram os papéis dos dois bandidos no filme "Butch Cassidy and the Sundance Kid", dirigido por George Roy Hill em 1969, vencedor de 4 Oscars e considerado um dos 100 melhores filmes norte-americanos pelo júri do American Film Market. Nesta versão, os dois amigos inseparáveis, Butch (um ex-açougueiro, daí o nome) Cassidy (Paul Newman) e Sundance Kid (Robert Redford), lideram o Bando do Buraco na Parede e vivem de assaltar trens e bancos. Quando são caçados por todo o país resolvem ir para a Bolívia e juntamente com Etta (Katharine Ross), a namorada de Sundance, rumam para a América do Sul.

No entanto, a história mostrada no filme é diferente daquela pesquisada por Luis Sepúlveda. O escritor pesquisou durante cinco anos a vida da dupla e descobriu um final diferente da versão apresentada pelas autoridades americanas.
Butch Cassidy e Sundance Kid não teriam morrido na Bolívia como diz a história oficial, mas sim no sul do Chile, depois de suas andanças pela Patagônia argentina (na altura do paralelo 40° sul) como fazendeiros, assaltantes de bancos e integrantes de movimentos sociais.

Península Valdés

Localizada na Província Chubut, a Península Valdés é um autêntico paraíso de fauna marinha, considerada Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO. É o lugar preferido das Baleias Francas Austrais para acasalamento e reprodução. Entre maio e dezembro, centenas delas migram da Antártida para as águas dos golfos Nuevo e San Matías. Já as famintas orcas são vistas em fevereiro e março. Elas vêm em busca dos filhotes de lobos marinhos, que se concentram em grandes grupos, assim como os elefantes marinhos.

Em Punta Tombo se encontra a maior colônia de Pingüins de Magalhães (250 mil) existente em terras continentais (vistos de setembro a março). Também pode-se observar outras aves marinhas, guanacos (lhamas), ñandus (emas), maras (coelhos selvagens), zorros (raposas), etc.

Para obter mais informações, visite o Centro de Interpretação situado no Istmo Ameghino, na entrada da península.

     
Península Valdes                                                     Pingüinera de Camarones                                     Pingüinera de Punta Tombo

El Calafate

El Calafate localiza-se sobre a margem sul do grande Lago Argentino (a maior reserva de água doce da Argentina), a sudoeste da Província de Santa Cruz. Possui uma população de aproximadamente 6.500 habitantes (dados de 2001), e seu nome se deve a um arbusto espinhoso típico do sul da Patagônica. Na primavera tem flores amarelas, e no verão surgem os frutos de tom vermelho bem escuro. Segundo a tradição, quem prova esse fruto sempre retorna à Patagônia (adivinhe se não provamos ?).

É a porta de entrada para o fascinante mundo dos Glaciais, através do "Parque Nacional Los Glaciares", criado em 1937 para preservar uma extensa área (600.000 hectares) de gelos continentais e glaciais. Devido a sua espetacular beleza, seu interesse glaciológico e geomorfológico, e parte de sua fauna em perigo de extinção, a UNESCO o declarou Patrimônio Mundial da Humanidade em 1981.

A atração mais famosa é o Glacial Perito Moreno (com 257 km²), o mais conhecido das Américas e um dos únicos do planeta que continua a crescer.

 

                                               Glacial Perito Moreno                                                       Glacial Upsala                                                               Iceberg - Lago Argentino

El Chaltén

Em meio à imensidão dos campos, montanhas, lagos e geleiras da Patagônia Argentina, ao lado da fronteira com o Chile, situa-se o incrível povoado de El Chaltén, conhecido na Argentina como a Capital Nacional do Trekking.
A cidade conta com apenas 400 habitantes fixos, número que chega próximo de zero durante o inverno argentino. Tal fato ocorre pois a única estrada que liga El Chaltén ao resto do país fica quase intransitável no inverno, ficando a cidade isolada, cravada na Cordilheira dos Andes, ao lado de duas montanhas consideradas por aventureiros como das mais belas do mundo: Cerro Torre (considerada a montanha mais difícil de se escalar no mundo, com 3.102 m de altura) e Cerro Chaltén ou, também conhecida como Fitz Roy (com 3.405 m de altura).

O nome Chaltén quer dizer "Montanha que Fuma" na língua dos antigos índios da região, pois se pensava que o Cerro Fitz Roy era um vulcão, de tão alto e tão rodeado de nuvens. Já o nome Fitz Roy vem do comandante do barco Beagle (nome do canal em Ushuaia), no qual Charles Darwin veio explorar a Patagônia e colheu informações para escrever sua obra "A Origem das Espécies".

A distância entre El Calafate e El Chaltén é 222 km, em um caminho belíssimo que em grande parte circunda o Lago Argentino e o Lago Viedma, com suas águas azul-turquesa.

Como Capital Argentina do Trekking, há trilhas para todos os tipos de aventureiros. Os mais sedentários ou preguiçosos podem optar por trilhas de 1 dia, saindo pela manhã e retornando à tarde, bastando para tanto levar agasalho, lanche e água. Já as trilhas mais longas são feita em 2 ou 3 dias. Existem também trilhas sobre o Glacial Torre (quase na base do Cerro Torre) com aulas de técnicas de escalada no gelo.
Todas as trilhas se situam dentro do Parque Nacional Los Glaciares (limite norte) e contam com excelente sinalização. A entrada é gratuita e mapas e informações são fornecidas na entrada do parque. Em pontos estratégicos das trilhas e na cidade há acampamentos gratuitos, sem, no entanto contar com qualquer tipo de infra-estrutura.

Uma recomendação para quem for a El Chaltén é respeitar os limites de cada pessoa bem como os limites impostos pela natureza. Mesmo no verão, o frio é constante, podendo chegar a 0º durante a noite. Ventos chegam facilmente a 150 km/h, e, em um mesmo dia, mudanças radicais de clima são uma constante. Calor, frio, fortes rajadas de vento e chuva, todos alternados, passam a fazer parte da rotina. Por isso, o respeito às trilhas deve ser imperativo. Não é recomendável criar caminhos alternativos ou atalhos ao longo das trilhas, mesmo que isso pareça oportuno no momento.

     
 Cerro Torre (esquerda) e Cerro Fitz Roy (direita)             Escalada no Glacial Torre                                          


Volta